10 álbuns conceituais pós-2000

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Como entusiastas de álbuns conceituais, nós da Colônia Cratera gostaríamos de compartilhar alguns deles que nos influenciaram de alguma forma. Para fugir de obras consagradas como 2112 (Rush), The Wall (Pink Floyd) ou Metropolis: Part II (Dream Theater), incluímos apenas álbuns lançados após o ano 2000 e que no fim, por estarem cronologicamente mais próximos, tiveram grande impacto sobre nós. A lista não está em nenhuma ordem específica, apenas aproveitem as indicações.

Nossa seleção de 10 álbuns conceituais

 

Ayreon – 01011001 (2008)

Ayreon - 01011001 (2008)

 

Sétima empreitada do projeto liderado pelo multi-instrumentista holandês Arjen Lucassen, entrega uma obra épica em todos os sentidos. Duplo, o álbum conta com quinze faixas, algumas com mais de dez minutos, divididas em várias passagens. Durante uma hora e quarenta e dois minutos,  dezessete vocalistas ora se juntam ora se alternam para contar uma história que abrange temas como panespermia, extinções em massa , anomia pela tecnologia e teoria da relatividade e até o trivial download de arquivos. Musicalmente, Lucassen utiliza seu prog metal recheado de sintetizadores e orquestrações, coroado pela presença de grandes performances de vocalistas consagrados como Hansi Kursch (Blind Guardian), Jorn Lande (Masterplan) e Tom Englund (Evergrey), além de solos de Michael Romeo (Symphony X) e Derek Sherenian (ex-Dream Theater).

 

 

Tool – Lateralus (2001)

 


Nunca um álbum conceitual foi tão além de apenas seguir uma linha narrativa. Em seu terceiro álbum, o quarteto de Los Angeles aborda o tema do desejo humano de explorar, expandir e aprofundar o conhecimento em todas as áreas. Para tanto, eles utilizaram  como símbolo a espiral formada pela sequência Fibonacci.

Esse conceito foi utilizado em absolutamente tudo: tanto as músicas passam essa impressão de espiral infinita, como também as mudanças de tempo (9/8, 8/8  e ⅞ ) integram a sequência; os pequenos interlúdios, se sobrepostos de maneira correta, revelam uma faixa escondida e existe até uma ordem secreta de se escutar as faixas. Vale dar um Google para descobrir tudo que o álbum oferece.

Angra – Temple of Shadows (2003) 

albuns conceituais Angra - Temple of Shadows (2003)

 

Considerado por muitos como sua  obra-prima, a banda atingiu neste álbum o ápice de sua liberdade criativa e experimentalismo. A história acompanha um cavaleiro cruzado, conhecido como O Caçador da Sombra, que se une ao exército do papa no fim do século XI, descrevendo seu sofrimento frente ao antagonismo da Guerra Santa. O metal melódico veloz, como sempre, é o pano de fundo, mas há também a inserção de ritmos brasileiros, caribenhos e ibéricos na medida certa, além de participações especiais de peso como Kai Hansen (Gamma Ray), Hansi Kursch (ele de novo) e Milton Nascimento. O encarte do CD é um destaque à  parte, com pequenos textos que acompanham o desenrolar da história, incluindo citações do clássico de Desmond Seward, “The Monks of War”.

 

Protest The Hero – Pacific Myth (2015)

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Este álbum aparece aqui por oferecer um tipo de conceito diferente, mais referente ao processo de composiçao, produçao e, principalmente, de distribuição digital de música. A banda canadense de math/prog metal decidiu basear o lançamento do seu quinto álbum em um sistema de assinatura digital. Nele, os assinantes receberiam a cada mês, via Bandcamp, uma nova música do álbum, juntamente com letras, arte, versão instrumental e comentários da banda. As faixas não foram gravadas em um único período, mas sim ao longo de meses, conforme a banda finalizava cada composição. Dessa forma, de Outubro de 2015 a Março de 2016, todos os seus ouvintes  foram mantidos em um estado similar ao que acontece em temporadas de séries como Game of Thrones, em que a discussão e criação de teorias entre os episódios, além da recompensa pela espera de cada um deles, geram muito do “hype” nesse tipo de entretenimento.

 

 

 

Mars Volta – Frances The Mute (2005)

albuns conceituais Mars Volta - Frances The Mute (2005)

 

Já reconhecido como grande nome no rock progressivo, o Mars Volta começou a compor o que viria a ser “Frances The Mute” sem nem mesmo ter lançado seu aclamado primeiro álbum. A inspiração gira em torno da história real de Jeremy Ward, técnico de som da banda (até sua morte, em 2003). Um dia, Ward descobriu um diário no banco de trás de um carro que ele havia comprado de segunda mão, e começou a notar similaridades entre sua vida e a do autor, mais notavelmente, que ambos eram adotados. O diário contava a busca do autor por seus pais biológicos, com o caminho escalonado por um série de pessoas, cujos nomes foram a base para o nome das faixas de “Frances The Mute”. Com letras crípticas, o álbum instiga o ouvinte à interpretação, sendo quase impossível de ser absorvido na primeira audição. As faixas são muitas vezes divididas como suítes, sem divisões claras entre elas, com muitas camadas de instrumentos e paisagens sonoras extensas, dando a sensação de que o álbum é, de fato, uma única música para o ouvinte decifrar.

The Ocean – Heliocentric (2010)

albuns conceituais The Ocean - Heliocentric (2010)

Especialista em álbuns conceituais, o coletivo alemão aborda a história do surgimento da visão heliocêntrica do sistema solar. A jornada começa com a criação do firmamento em sua versão bíblica (Gênesis 1:6-20) e a antiga explicação dos movimentos dos corpos celestiais (Enoque 72: 2-5). Continua com Copérnico e Galileu, os primeiros propagadores do heliocentrismo, e Giordano Bruno, queimado pela Inquisição Romana como herético. A banda avança usando temas de rejeição aos valores do cristianismo, inspirados por Rimbaud e Nietzche e conclui com um dos maiores marcos da história científica moderna, a publicação de “A origem das espécies”. Musicalmente, “Heliocentric” apresenta uma ampla dinâmica, com algumas canções apostando apenas em vocais calmos e piano e outras com vocais rasgados, instrumental pesado e grandes orquestrações. O álbum foi lançado em abril daquele ano, mas não satisfeita, a banda lançou um álbum irmão em novembro, “Anthropocentric”, que mantém o desafio à visão criacionista e ao fundamentalismo religioso recente.

 

 

Orphaned Land – Mabool (2004)

 

O processo de arranjo, composição e produção do terceiro álbum desta banda israelense levou mais de seis anos para ser completado. Mas o longo período de preparação foi recompensado com a ótima recepção que o álbum obteve, sendo o bilhete de entrada para a banda em diversos países. Essencialmente progressivo, mas transitando pelo death metal e adicionando elementos regionais às composições, o Orphaned Land trata em Mabool de um tema que, provavelmente, apenas uma banda de Israel teria capacidade de abordar: a divisão e formação das religiões abraâmicas. Judaísmo, Cristianismo e Islamismo são representados no álbum, de maneira metafórica, como três anjos. Juntos, eles tentam convencer a humanidade a parar com seus pecados e a avisam do dilúvio que virá se assim não o fizer.

 

Queens of the Stone Age – Songs for the Deaf (2002)

Queens of the Stone Age - Songs for the Deaf (2002)

 

É a prova de que nem todos os álbuns conceituais são feitos de idéias megalomaníacas e sagas épicas. No único álbum conceitual da banda até hoje, o baixista Nick Oliveri sugeriu o seguinte: você entra no seu carro para viajar de Los Angeles até Joshua Tree para fazer seja-lá-o-que-for que você tem para fazer no deserto. O único problema é que o rádio está transmitindo apenas estações bizarras, em sua maioria latinas e religiosas. Você sintoniza em uma estação local de Los Angeles e o DJ Kip Kasper o introduz à saga musical que aparentemente se chama “Songs for the Deaf” e o entrega a primeira faixa. O restante do álbum mantém o mesmo clima, com o ouvinte trocando sempre de estações que acompanham a mudança do cenário urbano para o deserto vazio, terminando na WANT, “a estação favorita do deserto”,  e com você chegando finalmente ao seu destino. Curiosamente, Joshua Homme não aceitou de cara o conceito aparentemente frouxo proposto por Oliveri, alegando que os interlúdios atrapalhariam as músicas. No fim, acabou cedendo e o álbum acabou se tornando um sucesso de crítica e venda, levando a banda ao estrelato que usufrui hoje.

 

The Sword – Warp Riders (2010) 

albuns conceituais The Sword - Warp Riders (2010)

Primeiro álbum conceitual da banda (apesar de terceiro em sua discografia), apresenta o grupo saindo do stoner/sludge e  já flertando com o heavy rock que iria entregar nos álbuns posteriores. A história de “Warp Riders”, intitulada “The Night The Sky Cried Tears Of Fire”, foi escrita pelo vocalista e guitarrista J.D. Cronise e conta a lenda de Ereth, um arqueiro banido de sua tribo no planeta Acheron. A trama segue por um misto de fantasia e ficção científica psicodélica, incluindo distorções do tempo-espaço, uso de substâncias para atingir estados mentais superiores e referências aos mitos gregos, bem nos moldes de revistas  como a “Heavy Metal”. Cronise cita o diretor René Laloux (de Gandahar e Fantastic Planet) como uma forte influência para a criação da história.

 

 

 

Mastodon – Crack The Skye (2009)

 

albuns conceituais Mastodon - Crack The Skye (2009)

Se Remission (2002) representava o fogo; Leviathan (2004), a água e Blood Mountain (2006), a terra; nada mais justo para o Mastodon que entregar o próximo álbum simbolizando o ar. Mas eles decidiram fazer bem mais do que isso. Para dar seguimento a linha conceitual, o aether (ou éter) foi escolhido como elemento, simbolizando o próprio espaço-tempo. Sem dar a mão ao ouvinte em momento algum, o quarteto de Atlanta destila seu quase inclassificável estilo (progressive-sludge-stoner-metal?) em sete faixas, nas quais em muitos momentos não há maneira de saber exatamente a qual delas se está escutando. Os três vocalistas se alternam para contar a história de um homem paraplégico que, ao fazer um viagem astral muito próxima do Sol, queima seu plexo solar, deixando-o preso fora de seu corpo. Sugado por um buraco negro, ele acaba por incorporar seu espírito em Rasputin, no período da Rússia Czarista, e a linha narrativa segue daí para acontecimentos ainda mais estranhos. Considerado por muitos como o melhor da banda, o álbum representa a fase de maior experimentalismo e menor pressão comercial. Durante a turnê, a banda o reproduziu na íntegra, projetando ao fundo o que seria um filme que detalha melhor a história (disponivel no DVD Live at the Aragon).

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